quarta-feira, 19 de setembro de 2012

As donas da noite (We Are The Night)


Nunca escondi de ninguém que eu sempre tive uma queda por filmes de vampiro. Mesmo quando era pequeno e os filmes me deixavam com medo após assistir.

Dos que assisti, alguns dos melhores são: Drácula (1931) o clássico, Drácula (1979) este com a inesquecível cena do bebê sendo salvo na tumba, Fome de viver (1983) com a bela Catherine Deneuve, A Hora do Espanto (1985), Os garotos Perdidos (1987), Quando chega a escuridão (1987), Drácula de Bram Stoker (1992) talvez o melhor de todos, Entrevista com o Vampiro (1994) também impecável, e mais recentemente a grata surpresa Deixe ela entrar (2008).

Quem, assim como eu, sempre gostou de acompanhar as histórias dos chupadores de sangue deve ter tido dezenas de decepções com os filmes medíocres que foram feitos neste tempo. Para cada filme bom que foi feito, pelo menos uns 10 ruins o seguiram. Para cada “Deixe ela entrar” uns 10 “Crepúsculo” são feitos. Alguns medianos e outros mais trash do que qualquer coisa.

Pois eu que sempre me interesso, ao menos saber do que se tratam os filmes sobre o gênero, acabei me deparando com este filme alemão de 2011 e resolvi baixá-lo para conferir.

Sinopse:
Certa noite, Lena, uma garota de 18 anos, é mordida por Louise, líder de um trio de vampiras. Seu novo estilo de vida é por vezes benção e uma maldição. Inicialmente, desfruta da liberdade sem limites, o luxo, as festas. Mas logo os instintos assassinos pelo desejo de sangue de suas companheiras se torna um pesadelo para ela, ao mesmo tempo que se apaixona perigosamente por Tom, um policial. Agora Lena terá que escolher entre o amor imortal e a vida imortal.


Domingo pela manhã, para muitos amigos e conhecidos, é dia de assistir ao Esporte Espetacular (depois de vencer o sono, é claro). Não para mim, domingos pela manhã em casa, após acordar, se não tiver nenhum compromisso, é o momento ideal de colocar filmes e séries em dia. Ou de conferir aqueles filmes que não são tão conhecidos e dar uma chance de assisti-los. Assim foi com este filme até então desconhecido. Resolvi baixar e colocar para rodar. Se os primeiros 15 minutos me convencerem, o assisto até o final. Aqui está o resultado.

Lena (Karoline Herfurth, de “Perfume – A História de um Assassino“) é uma jovem desajustada e perdida. Abandonada pela mãe solteira e sem objetivos de vida, ela ocupa seu tempo entre pequenos roubos e momentos de depressão. Depois de perseguida pelo detetive Tom (Max Riemelt), a garota é assombrada por Louise (Nina Hoss), que vê em seus olhos a falta de perspectiva, um requisito essencial para a nova condição.

A jovem é mordida no banheiro de uma balada e passa a seguir a cartilha dos recém-vampirizados do cinema: intolerância à luz do sol, fome não saciada pelos alimentos comuns e pesadelos. Ela procura sua algoz e conhece o restante do grupo: Charlotte (Jennifer Ulrich, de “Meninas Não Choram“), monossilábica e presa ao início do século passado, e a inconsequente Nora (Anna Fischer), que aparenta ser uma adolescente, com seu jeito inconsequente.

Vampiras e donas da boate

Após a transformação, Lena entra em conflito sobre sua natureza, a obrigação de matar e a atração que sente pelo detetive. Algo não aceitável pelo grupo de vampiras, pois os homens são apenas objetos de diversão passageira e responsáveis pela quase destruição das criaturas da noite. Aqui está a melhor ideia do roteiro: não existem varões nessa raça, pois os homens não sabem agir com cautela suficiente para esse ofício. Além de feministas, as garotas entendem que sua sobrevivência depende da discrição e do auto-controle.

Além desse conceito curioso, outro ponto positivo de “AS DONAS DA NOITE” está na condução e dinamismo da narrativa. O espectador se sente atraído pelas personagens, querendo saber qual será o próximo passo, como aquilo tudo será resolvido. Ainda que você acredite que o amor está ali no enredo, ele não aparece. As mortes e o sangue preenchem qualquer possibilidade de imaginar uma história “romântica“, mesmo que os clichês estejam sempre presentes.

Sem usar a palavra “vampiro” durante o filme inteiro, vale a pena conferir essas belas vampiras em cena. Não é uma obra-prima, apenas um bom filme sobre o velho tema, uma produção interessante e bem feita para os apreciadores do gênero, sedentos por boas opções.

Cabe ressaltar que apesar de uma produção modesta, sem grandes investimentos, o filme não decepciona. Os poucos recursos foram muito bem empregados e nos entregam excelentes sequências e cenas muito bem pensadas.

O final nos deixa com esperanças de que poderemos, em algum futuro, ver novamente este universo que foi apresentado no filme. Afinal, sementes para isso, estão espalhadas durante todo o decorrer da aventura.

Um destaque especial para a cena de abertura do filme, onde em um avião em pleno voo, com o piloto automático ligado, é claro, as nossas personagens são apresentadas em um longo banquete, nos levando a imaginar que a ideia foi muito bem conduzida, um certo tom de originalidade e uma tirada de mestre. Esta primeira cena inicial foi o que me conquistou e me fez assistir ao filme inteiro. Infelizmente eu o baixei em qualidade DVDRip, mas com certeza estarei procurando um release em alta definição para manter por perto no HD portátil.

Leva uma nota 8 e com louvor.

Release baixado: As.donas.da.Noite.Dual.BDRip.avi

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Nova Série: Revolution


Vazou na internet, de maneira bastante proposital, o episódio piloto da nova série do canal NBC, chamada Revolution, que leva o nome de J.J. Abrams na produção e que só deve estrear nos EUA no dia 17 de setembro.

Sinopse:
Revolution, a nova série criada por Eric Kripke (Supernatural) e com produção de J.J Abrams (Lost), trata de pessoas que lutam para sobreviver em um mundo onde todas as formas de energia deixaram de existir. Com um visual apocalíptico, e sem nenhuma tecnologia moderna, métodos antigos de sobrevivência voltam a fazer parte da cultura das pessoas.

Eric Kripke, criador de Supernatural, largou a série sobre os irmãos Winchester e o seu mundo de eventos sobrenaturais relacionado a vampiros e coisas do gênero, para embarcar em um mundo apocalíptico que, após um apagão, fica completamente sem energia. Com produção de J.J Abrams, Revolution cai nos mesmos defeitos da série Jericho que, ao tratar de um tema parecido, não soube dar uma direção para a sua história.

Como toda trama apocalíptica, Kripke deixa claro no seu episódio Piloto que existiram planos por trás daquilo que aconteceu. Algumas pessoas sabiam disso, como é o caso do irmão de Miles que, misteriosamente, guarda alguns arquivos em seu pendrive antes do mundo inteiro apagar. Quinze anos depois, que é quando a trama realmente começa, as pessoas vivem em vilas plantando a própria comida e sobrevivendo da maneira que podem.

Por outro lado, a milícia de um General que usa a letra M como marca, aterroriza estas vilas fazendo-os pagar impostos para continuarem morando ali. Ele é quem está atrás das informações gravadas no pendrive, que podem ser a chave para recuperar a energia de volta. E aqui os problemas de Revolution começam a aparecer, se consolidando como uma trama fraca cujas fragilidades ficam expostas durante todo o episódio.

Revolution tenta chocar com cenas que mostram cidades devastadas após o apagão, ou o famoso estágio do Chicago Cubs que virou abrigo para as pessoas, mas não se preocupa em tentar inserir de forma adequada os seus personagens neste universo. Charlie, a personagem tida como principal, perde o pai nos primeiros momentos para, já no próximo instante, mostrar interesse amoroso em uma pessoa que ela nunca havia visto antes.

Cabelos arrumados e roupas passadas sem energia

Apostando também em muitas cenas de ação, Revolution encerra o episódio apontando para aquilo que todo mundo já sabia: existe um mistério e pessoas que planejaram isso.

Decepcionante em sua essência, é uma pena que a série não consiga sair da obviedade de retratar um mundo apocalíptico com pessoas sobrevivendo a ele e algum mistério por trás. Tentativas fracassadas de séries como Terra Nova e Jericho só reforçam o fato de que Revolution caminhe na mesma direção delas.

Porém não posso deixar de destacar uma cena em especial, logo no começo do episódio, quando acontece o tal apagão, que é memorável. A queda de inúmeros aviões que, assim como todo e qualquer equipamento eletro-eletrônico, que são mostrados caindo do céu e explodindo em chamas ao caírem no solo é de gelar o sangue.
O logo da série pelo menos, é cool

Outro ponto a se destacar é que a série ignora aquilo que todo mundo, pelo menos penso eu, gostaria de ver, que seria o caos inicial de um mundo sem energia e sem comunicações eficientes sofreria. A série já mostra uma sociedade adaptada ao evento que se tornou duradouro. Porém não pouparei críticas às roupas moderninhas, cabelos muito bem arrumados (chapinha?) e roupas sem amassados.  Quem sabe conseguiram alguns equipamentos com os Flintstones!

Ainda assim acompanharei mais alguns episódios para ver se ela melhora e prende a atenção.

Quanto ao release “vazado”, está em alta qualidade e com som em 5.1 canais. Posso dizer que a imagem é cristalina e o som claro e muito bem mixado. Se todo vazamento fosse assim, adeus indústria.

Release baixado: Revolution S01E01 Pilot 720p WEB-DL DD5.1 H264-CtrlHD

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Battleship – A batalha dos mares


Sabe aquele jogo de tabuleiro? Aquele onde se atira em navios baseado nas coordenadas do tabuleiro? No estilo “fogo no quadrante D7”? Pois é, fizeram um filme em cima desta ideia. Na verdade, ideias é o que tem faltado em Hollywood ultimamente. A Hasbro, detentora dos direitos de brinquedos populares nos anos 80, como Transformers e G.I. Joe, também é a dona do jogo Battleship, conhecido no Brasil como Batalha Naval, então nada mais natural do que tentar arrecadar um pouco em cima deste jogo também, afinal, ela conseguiu com os anteriores.

Sinopse:
Alex Hopper (Taylor Kitsch) é um oficial naval do navio USS John Paul Jones, comandado pelo almirante Shane (Liam Neeson). Alex é noivo de Sam (Brooklyn Decker), filha de Shane, apesar de não ser bem visto por ele. Já em alto mar, eles precisam unir forças com a tripulação do navio USS Samson, comandado pelo irmão mais velho de Alex, Stone (Alexander Skarsgaard), ao encontrar uma força alienígena desconhecida, que ameaça a existência da humanidade. Um grupo de cientistas, comandados por Cal Zapata (Hamish Linklater), e de especialistas em armas, como Cora Raikers (Rihanna), também compõem a equipe. Acompanhando tanto o lado dos humanos quanto o lado dos alienígenas, Battleship apresenta a intensa disputa pelo controle da Terra.

A missão de transformar o jogo de tabuleiro em um blockbuster americano não era fácil. Escolheram para isso o caminho fácil. Na trama, a NASA descobre um planeta capaz de sustentar vida, já que tem massa e distância a um sol semelhantes às da Terra. Envia então ao espaço um sinal, disparado a partir de uma instalação no Havaí, lançado para dizer que "estamos aqui". Anos depois, a resposta chega na forma de uma frota enviada para nos exterminar. Mas os aliens escolheram uma má hora para nos infernizar: a instalação fica justamente ao lado de uma das mais famosas bases navais do mundo, Pearl Harbor, que está abrigando um encontro internacional de Marinhas para exercícios de guerra.
Seja sincero e diga se teríamos alguma chance

A partir daí tudo é festa, quer dizer, desculpa para muita ação, tiros, explosões e mutilações. Esqueça a coerência, a veracidade e a história em si, é um filme de verão, blockbuster, para ser visto e curtido. Não exija demais dele. Caso contrário você perderá o espetáculo visual e encontrará os furos e falhas do roteiro que existem em abundância. Esqueça isso e terá um filme excelente.

Efeitos especiais de primeira linha é o mínimo esperado para um filme deste porte, com a missão de arrecadar o máximo possível. Coloque alguns rostos conhecidos, como Taylor Kitsch que se destacou após John Carter, a cantora Rihanna (sem muita função no filme), Liam Neeson para dar um ar de filme bom e até o vampiro Eric de True Blood deu as caras no filme, acrescente toneladas de CGI e tenha cenas empolgantes.

No decorrer do filme algumas cenas se destacam, como o começo original em busca de um “burrito” galanteador, ou a cena mais original ainda que presta homenagem ao jogo, utilizando uma criatividade inesperada para recriar o formato original do jogo em plena era digital.
Batalha Naval

Esqueça um pouco o patriotismo americanizado exageradamente exaltado pelo filme, afinal, estamos falando de uma batalha em Pearl Harbor, que há mais de 60 anos pede uma revanche em uma batalha. Aqui eles inclusive colocam um navio japonês dentro da mesma situação apenas para mostrar a relação atualizada, e minimizada, entre os antagonistas do passado. Eles até trabalham juntos e aprendem um com o outro aqui.

No resumo final, um filme que não se leva a sério acaba se tornando uma ótima diversão. E engrossa a lista daqueles famosos bons filmes ruins. Admito que eu mesmo gosto muito de alguns filmes que geralmente são massacrados pela crítica, mas que encontram um enorme público que sabe deixar de lado muitas falhas e acabam cativados por aventuras como: Armageddon, Independence Day, Godzilla, Transformers, O dia depois de amanhã; 2012, Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles e tantos outros. Confesso que o próprio Armageddon é o meu favorito desta lista, que apesar de ter assistido no cinema, possuir o DVD e o Blu-ray, sempre que o vejo em um canal de TV não consigo deixar de acompanhar novamente.

Mas e o Battleship? Leva uma nota 7, sem dúvida.

Release baixado: Battleship (2012) PROPER 720p BluRay x264-SPARKS

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Na semana passada finalmente consegui um tempo livre para ir ao cinema conferir este que era um dos filmes mais esperados do ano. Eu mesmo era um dos que o aguardavam com muita ansiedade, uma vez que gosto muito dos filmes anteriores.

Coincidência triste, é que esta foi a última sessão que pude acompanhar em nosso cinema, que nesta segunda-feira foi fechado, mais uma vez. A desculpa é que em seu lugar (re)ssurgirá (desculpem, não resisti ao trocadilho) um teatro novo e inédito em nossa cidade. Até aí tudo bem, mas e nós, amantes da sétima arte?

Sinopse:
Oito anos após a morte de Harvey Dent, a cidade de Gotham City está pacificada e não precisa mais do Batman. A situação faz com que Bruce Wayne (Christian Bale) se torne um homem recluso em sua mansão, convivendo apenas com o mordomo Alfred (Michael Caine). Um dia, em meio a uma festa realizada na Mansão Wayne, uma das garçonetes contratadas rouba um colar de grande valor sentimental. Trata-se de Selina Kyle (Anne Hathaway), uma esperta e habilidosa ladra que, apesar de flagrada por Bruce, consegue fugir. Curioso em descobrir quem é ela, Bruce retorna à caverna para usar os computadores que tanto lhe serviram quando vestia o manto do Homem-Morcego. Aos poucos começa a perceber indícios do surgimento de uma nova ameaça a Gotham City, personificada no brutamontes Bane (Tom Hardy). É o suficiente para que volte a ser o Batman, apesar dos problemas físicos decorrentes de suas atividades como super-herói ao longo dos anos.

Assim como muitos outros garotos da minha faixa etária, eu cresci assistindo Batman. Lia diversos heróis em quadrinhos, mas assistir mesmo, eram apenas 2 com mais frequência. Era o desenho animado do Homem Aranha e as reprises do seriado do Batman de Adam West e o desenho animado. E como eu adorava. Antes mesmo de começar a frequentar o colégio já acompanhava as muitas aventuras da dupla dinâmica contra os mais diversos inimigos e com dezenas de onomatopeias que em nada nos incomodavam.

Naquela época, ver o Batman puxando dados do seu Mainframe e ver todas aquelas luzes piscando e a perspicácia do nosso herói nos satisfazia e nos deixavam viajar diariamente para Gothan City.

Depois dos altos e baixos da franquia no cinema nos anos 90, finalmente Chris Nolan deu uma revigorada no morcegão que há muito tempo ele precisava. Tudo começou com o ótimo Begins que foi solidamente alicerçado em algo que faltava nos filmes anteriores: uma dose maciça de realidade. Este foi o foco, acima da fantasia e do mito, era mostrar que o Batman era quase real. E ele conseguiu. Mesmo no segundo e maior filme da franquia isso ainda pontuava o filme e não nos deixava fugir da sensação de realidade e pés no chão.
Ela quase roubou o filme

A nova e aguardada derradeira aventura do Cavaleiro das Trevas de Nolan chegou com muitas promessas e expectativas lá no alto. E eis que o filme é muito bom e consegue cumprir a maioria delas. Os efeitos especiais estão muito bons, como era de se esperar. A cena inicial do sequestro aéreo é excelente e, se não fosse divulgada à exaustão nos trailers e divulgações, seria totalmente inesperada. O tom sombrio dos filmes anteriores continua presente. Os atores, com destaque para a bela Anne Hathaway, estão em sua maioria, muito bem em seus personagens. Um ponto a se lamentar é o pouco espaço em cena do sempre ótimo Michael Caine e do irretocável Gary Oldman.

Porém, ao meu ver, a missão não foi completada totalmente. Faltou algo ao filme. Não sei dizer se era expectativa demais, mas o filme não empolga a não ser no seu ato final.

Não estou dizendo que o filme seja ruim, muito longe disso, porém se o filme funciona na maior parte da fita, ele nos deixa um sentimento de que algo ficou faltando. O filme é longo demais (2:45h) e mesmo assim algumas coisas são mal dimensionadas. A introdução é longa demais e o final corrido demais. Nolan não soube perceber que a despedida do morcego era o que queríamos degustar com mais calma. Por isso é a parte que empolga realmente.

O filme, assim como os anteriores, possui suas falhas, é claro. Mas aqui elas são evidentes demais. Para um diretor que apostou no realismo e coerência, ele acabou se perdendo em pontos cruciais que, ao meu ver, jogaram contra ele próprio. Algumas incoerências que incomodam, tentando não entregar surpresas aos desavisados, são: a debilidade inicial do personagem em contraste com o final do filme anterior, o efeito muito duradouro dos atos dos filmes anteriores em relação à criminalidade, o rápido retorno à capa do Batman, a luta totalmente desigual com Bane, sua cura da forma e no tempo em que se deu, a luta final com o vilão e o principal pra mim, a incoerência de aceitar que uma cidade americana fique tomada por terroristas por longos 5 meses. Estes fatos jogam contra o histórico criado nas aventuras anteriores.

É claro que todos estes pontos podem ser discutidos e talvez até contornados com boa vontade, mas o fato é que da maneira como postos no filme acabaram me incomodando. Não a ponto de desgostar do filme, jamais, mas o suficiente para que o considere o mais fraco entre os 3 filmes. Mas isso não é demérito, na verdade é um elogio aos dois anteriores que me conquistaram e me levaram de volta à sala escura para ver o final da saga.
Luke, I am your father, ops...

Há outros pontos do filme que poderiam ser comentados, como a participação e personagem de Joseph Gordon-Levitt, o final ao estilo Inception ou ainda o novo veículo do Batman, mas vamos deixar estes comentários para uma boa conversa entre amigos, e com toda certeza, no próximo almoço que teremos entre uma velha turma de bons amigos que apreciam os filmes, quadrinhos, personagens, etc...

Com toda certeza irei adquirir o Blu-Ray do filme e assistir em alta definição, mas não poderei dar a ele a nota que eu imaginava.

Leva uma nota 8,5 sem dúvida. Quem sabe em uma segunda conferida e com menos expectativas possa rever, mas hoje, é o que considero justo a ele.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Passando tempo

Este é aquele tradicional post apenas para "encher linguiça" e dizer que ainda estou vivo no mundo virtual, apenas com pouco tempo para fazer novos posts. Tudo graças à correria do dia a dia, serviço, afazeres e outras coisas.

Coleção Tarantino
Mas também é um post que traz alegria, pois mostra aquilo pelo qual estava ansioso aguardando a chegada,e finalmente chegou....

Quatro filmes incríveis

Só quem faz compras virtuais sabe a ansiedade que ficamos até que elas cheguem. Pelo menos ainda temos boas lojas que fazem entregas super-rápidas como esta. Comprado na segunda-feira, chegou hoje, na quinta-feira. De São Paulo a Uruguaiana. Excelente prazo de entrega.

Que vieram a se somar a outros dois filmes do mesmo diretor

Tarantino é 10! Em alta definição, melhor ainda...


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Jogos Vorazes


 “Jogos Vorazes é o substituto de Harry Potter e Crepúsculo”. Você provavelmente leu muito essa afirmação nos últimos meses. O sucesso dos livros de Suzanne Collins é estrondoso, e adaptação para o cinema foi considerado o primeiro grande evento cinematográfico de 2012. Mas já antecipo que não li nem mesmo um resumo de nenhum dos três livros. De certa forma, Jogos Vorazes realmente vem pra substituir as franquias citadas, já que faz parte de uma literatura que agrada a diferentes públicos (crianças, jovens, adultos), e possui uma fiel legião de fãs. A verdade é que Jogos Vorazes veio para fazer sucesso nos cinemas, e a sua qualidade pode ser mais bem comparada a de Harry Potter do que a história insossa da saga dos vampiros, lobisomens e afins. Vamos ver se os próximos filmes crescerão em qualidade como aconteceu com os filmes do bruxinho.

Sinopse:
Jogos Vorazes (The Hunger Games) conta a trajetória de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) em um futuro distante, sobre as ruínas de uma já esquecida América do Norte. O capitólio de Panem relembra, com os Jogos Vorazes, a derrota da rebelião de 13 distritos contra sua capital, onde um deles foi exterminado. Um adolescente e uma adolescente são oferecidos como tributo por cada distrito para participar dos jogos, onde apenas um dos 24 jovens pode sair vivo, em um evento sangrento e televisionado. Quando a jovem Primrose Everdeen é selecionada em um sorteio, sua irmã Katniss se oferece como tributo e acaba jogada em uma gigantesca “arena” contra jovens altamente treinados, que se prepararam para isso suas vidas inteiras. Sem perceber, Katniss e sua personalidade podem estar começando algo que mudará a história dos distritos para sempre.


Assisti este filme no início da semana, escolhido para ser visto em família, mas que não é infantil. Pelo contrário, mostra e discute temas que são muito melhor entendidos por jovens e adultos, sendo às vezes uma crítica a certos programas de televisão atuais, os dispensáveis reality shows, invasivos e cada vez mais apelativos. É claro que não chega a se comparar com o ótimo Show de Truman, mas a relação pode ser feita.

Apesar de pouco original, a premissa é interessante, pois abre espaço para criticar uma sociedade que se auto consome, tendo como principal entretenimento a manipulação da própria vida de outras pessoas. Como não poderia deixar de ser em um blockbuster, este viés crítico não é o foco do filme. Mas ele se faz sempre presente, permeando toda a narrativa e tendo até certos momentos de maior atenção. Esta subtrama social, ainda que contida, apresenta-se em um grau maior do que o comum para filmes deste porte, com proposta comercial e público-alvo juvenil.

O caráter maduro em relação a outras produções do gênero é reflexo da competente direção de Gary Ross, que se preocupa em abordar o tema com mais dramaticidade e menos romantismo e pirotecnia. O primeiro ato é o melhor exemplo dessa atmosfera. Os personagens são apresentados pacientemente em suas ações rotineiras e só vamos conhecendo suas personalidades ao decorrer da trama. Os clichês, que precisam existir, são trabalhados de forma a integrá-los ao enredo ou à psicologia dos personagens, tornando-os menos incômodos.

Destaque também para o contraste entre o Distrito 12 e seu aspecto acinzentado com a Capital e suas cores  e roupas esvoaçantes. Como se a personagem saísse de sua floresta e adentrasse ao País das Maravilhas, tendo inclusive uma versão feminina do Chapeleiro Maluco.
Alice e a Chapeleira?


Os efeitos especiais não roubam a cena e trabalham em prol do filme, um ganho se considerar muitos outros filmes recentes. O melhor efeito especial é aquele que não rouba a cena para si mesmo, já dizia um grande diretor. Ele deve se dissolver nas cenas. E isso nós vemos aqui.

Apesar de não ser um filmaço, daqueles de empolgar, eu acabei simpatizando com ele. Conferi em uma versão em HD, 720p com ótima qualidade de imagem e som. Para que minha filha pudesse acompanhar mais tranquilamente, optei por baixar uma versão com opção de dois idiomas de áudio, as chamadas Dual Audio. Não é um som estrondoso e poderoso como a versão original em DTS, mas é uma dublagem bem feita pelo menos, que não decepciona, e mesmo a versão dublada é em 5.1 canais, porém em Dolby Digital.

Leva uma nota 7,5 e pode ser considerado um ótimo entretenimento, sem muitas pretensões e sem ser extremamente violento ou pesado.

Release baixado: Jogos.Vorazes.2012.720p.BluRay.x264.DUAL-ANGELiC

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Espetacular Homem Aranha


Há 10 anos atrás eu tive uma das melhores sessões de cinema da minha vida. O filme era O Homem Aranha, dirigido por Sam Raimi e que pela primeira vez trouxe o aracnídeo para as telas. O filme não era perfeito, haviam falhas, mas era muito bom. Fosse pelo sentimento de nostalgia, fosse pela dificuldade de ser levado às telas, pelas filas enormes, a compra antecipada de ingressos, os vários amigos presentes na seção, para mim o filme foi marcante e inesquecível.

10 anos depois temos um novo filme na praça, que tenta apagar tudo o que vivenciamos em 3 filmes anteriores e recomeçar a franquia do cabeça de teia no cinema a partir do zero. Apenas 5 anos após o último filme, era mesmo necessário fazer isso ao invés de continuar a sequência? Vamos tentar avaliar.

Sinopse:
Peter Parker (Andrew Garfield) é um rapaz tímido e estudioso, que inicou há pouco tempo um namoro com a bela Gwen Stacy (Emma Stone), sua colega de colégio. Ele vive com os tios, May (Sally Field) e Ben (Martin Sheen), desde que foi deixado pelos pais, Richard (Campbell Scott) e Mary (Embeth Davidtz). Certo dia, o jovem encontra uma misteriosa maleta que pertenceu a seu pai. O artefato faz com que visite o laboratório do dr. Curt Connors (Rhys Ifans) na Oscorp. Parker está em busca de respostas sobre o que aconteceu com os pais, só que acaba entrando em rota de colisão com o perigoso alter-ego de Connors, o vilão Lagarto.

Cheio de restrições ao filme, estando em férias acabei indo, bem acompanhado da família é claro, a uma sala da rede GNC em um Shpping Center. Sala muito boa, nem sequer tem como comparar com a nossa humilde sala local. Lá tínhamos cadeiras muito confortáveis, ótima tela, projeção no aspecto correto e o som. E que som, DTS e em 5.1 canais perfeitamente audíveis e muito bem regulado. Simplesmente obrigatório.

O filme resgata uma história antiga dos quadrinhos, sobre o mistério dos pais de Peter Parker e mescla com a versão ultimate do personagem, que nada mais é do que uma atualização da lenda para os dias atuais. Afinal, o Aranha foi criado em 1962 e muita coisa que era verossímel na época, hoje não é mais. Todavia, o filme inicial da franquia dirigida por Sam Raimi já fazia isso. De maneira sutil, mas atualizava a história sim.

Agora temos um arco misterioso dos pais de Peter que nem mesmo nos quadrinhos foi bem recebido e que pouco depois de ser publicado foi esquecido. Nem mesmo histórias posteriores sequer mencionavam estes arcos. Some a isso a diminuição que o tio Ben sofre na vida de Peter por causa da sombra dos pais e a sua morte torna-se muito menos dramática e impactante quanto foi no primeiro filme. Afinal, se Peter ainda tem uma esperança de encontrar seus pais, a perda do tio acaba não sendo algo assim tão doloroso capaz de criar nele uma mudança de atitude. A sua mudança de foco aqui, se deve a uma outra cena com uma carga dramática muito menor e bem menos compreensível.
Quem você pensa que é para falar mal do meu filme?

Tirando esta escolha estranha para o roteiro, o filme até que não é ruim. Pelo contrário, tem muitos pontos positivos e o visual e efeitos especiais estão simplesmente espetaculares. Todos os defeitos e falsidade aparente dos efeitos no longa de 2002 foram deixados para trás, aqui as cenas são limpas e bem conduzidas, efeitos incríveis e um visual estonteante. O filme é um deleite para quem assiste. E cuidado para não sentir náuseas em algumas cenas em que a câmera acompanha nosso herói pelos prédios de Nova Iorque.

Por mais que eu tente não comparar o novo filme com o anterior, quando se fala em origem e descobrimento de poderes não há como não compará-los, e aqui, o novo filme sai perdendo sempre. Não apenas o roteiro é muito mais superficial, como as situações postas no filme são muito infantis. Quem sabe até agrade mais ao público adolescente da atualidade, mas me desculpem, eu preciso de mais substância num filme deste tipo. Não aceito ser enganado ao não ter um único motivo sequer para que em determinado momento do filme Peter resolva contar seu segredo para alguém. Assim, do nada. Não engoli.

Tudo bem que no filme de 2002 o inimigo Duende Verde estava totalmente descaracterizado daquele dos quadrinhos, muitas vezes parecendo sair de um Jaspion da vida. Mas Willian Dafoe compensava qualquer problema visual. Cronologicamente falando, Gwen Stacy também foi um acerto no lugar de Mary Jane, o primeiro filme mescla as duas em uma única (esta percepção é somente para leitores), mas o resultado se não é perfeito, é bastante satisfatório. Apesar do acerto neste novo filme, o resultado não é melhor que o anterior, ainda com algumas gafes.

Para sintetizar o filme, a sequência final, a cena que normalmente é feita para levantar a plateia das poltronas naquele sentimento de aventura acima de qualquer outro visto no decorrer do filme não funciona. Pior que não funcionar é a decepção que causa. Quem assistir ao filme talvez fique constrangido ao ver a tal cena da sequência final. Não convence em nenhum momento e não é por causa dos efeitos especiais não, que são a melhor coisa no filme. Assista e depois julgue se não tenho razão.

Mas a gota d’água pra mim é que não há, pasmem, em momento algum do filme a citação “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Isso é um crime. É algo impensável. Em qualquer outro filme deixar uma fala ou um pensamento conhecido de fora da montagem é até aceitável, mas em Homem Aranha não. Isso é a essência de quem ele é. É esta frase que o move e quem o torna o que ele é. É como se ao filmar a nova trilogia de Star Wars, George Lucas não incluísse a fala “Que a Força esteja com você” em nenhum dos filmes, ou como se o Spock não se despedisse dizendo “Vida longa e próspera” no novo Star Trek. É algo inaceitável.

Mas não se deixe levar apenas pelas minhas reclamações de fã. O filme tem virtudes e as interpretações do Peter, de Gwen Stacy e do Lagarto são muito boas. Eles entregam sentimento aos personagens e em muitos momentos superam aquilo que esperávamos ou nos baseávamos no filme anterior. Minha revolta ao falar mais dos defeitos do filme em comparação ao anterior do que exaltar suas qualidades se deve, em parte, por ainda estar com o filme dos Vingadores em mente e esperar algo de qualidade semelhante, o que acabou não acontecendo.

Ao final das contas a Sony (estúdio detentora dos direitos) poderia ter aguardado por uma história melhor antes de fazer o filme. Acertou na escolha do diretor e dos atores, mas pecou na escolha do roteiro. Mas o que os move é o dinheiro. A Marvel Comics, antes de possuir um estúdio próprio, vendeu os direitos de adaptação de certos personagens para outros estúdios. Homem Aranha pertence a Sony, Quarteto Fantástico e X-Men pertencem a Fox e mais um ou outro personagem está nesta situação. Entre as cláusulas do contrato de cessão dos direitos há uma que versa que após um determinado tempo sem novos filmes dos personagens e os direitos retornariam para as mãos da Marvel. Logo ao saber deste detalhe, entendemos o porque do filme ter sido feito mesmo sem possuir a história ideal para fazer um filme nota 10.
Foi bom, mas bem que já poderia estar o novo do Batman em cartaz...

O filme não apagará o anterior de nossas lembranças, muito longe disso, porém merece levar uma nota 7,5.